sexta-feira, 3 de julho de 2009

Doutor Trombone

soul sócrates

Arre égua coração, não precisa "martratar", não está certo tal desfecho, mas ensejo, um desejo só, nem precisa explicar. Alivia nas esporas, desata os "nó" e acorda, hoje é seu Varjão é quem vai contar. Uma estória descabida, trazida do sertão. Onde areia é terra seca e bala é desviada com facão. Minha neta, uma menina, uma moça feito flor, sentia no peito uma agonia, uma "ardura", e de quando em quando gritava e dizia:Tô sentindo dor! Avexado eu respondia:Tenha calma minha "fia", já chamei o doutor.E minha neta, coitadinha, dava pena, só vendo, nunca vi uma menina, parecia trepadeira, se contorcia feito flor.E com uma maleta toda preta, com anel de ouro pra confirmar, o doutor lá da esquina, veio depressa, foi só chamar. Examinou a minha neta e pediu pra preparar, um chá de romã e sem demora retrucou: Conheço essa "mardita". Mas amanhã, tenho certeza, a doença acabou. Foram dois, três, quatro dias e nada, a danada não passou. Liguei pra meu primo, médico, também na cidade chamado de doutor, pra vim correndo pra Bahia, aqui, para o interior. Paripiranga era o destino do meu primo, que quando menino brincava de estudar. Pra seu espanto severino, encontrou o seu amigo, doutor daquele lugar, ao lado da minha neta com dois terços à orar.O que se passa meu senhor? Ora essa meu amigo, não percebe. Não sou senhor, sou doutor, aqui meu anel.Como tal, doutor que se diz, o que faz com um terço na mão?Oração nunca é demais, não tendo jeito, em Paripiranga, é assim que se faz. Então me diga, agora em paz, o que tem a minha sobrinha?Incerto, o doutor da esquina arriscou, só de ouvir falar, de uma tal de trombose e sem rodeios diagnosticou:É trombone, falou com firmeza.O meu primo, constrangido com a certeza, pôs o ouvido no peito da sobrinha e com ironia ele brincou: Se for mesmo trombone, ele está tocando muito baixo.

Publicado na rede de computadores no dia 8 de Julho de 2007.

Obs: um texto criado após um comentário sabido e uma homenagem ao meu pai e ao meu avô, Olímpio Varjão.

Um comentário:

  1. eu não vim aqui comentar seu texto de bosta, vim dizer que você é um grosso. foi lá no meu extinto blog fazer grosserias. idiota. espero que esteja melhor com o passar dos anos e menos arrogante.

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